Conheça os interlocutores do Urbe Urge
22 Abr 2021 |

Conheça os interlocutores do Urbe Urge

Novo programa é dedicado ao fomento de projetos que discutam questões relativas às cidades e a emergência climática nas áreas de arquitetura, urbanismo e design

Promover intercâmbios e interações, aproximando áreas de conhecimento e saberes tradicionais e/ou populares em um movimento de expansão do pensamento e do diálogo em projetos de arquitetura, urbanismo e design. Esses são alguns dos pilares que sustentam o programa URBE URGE, que até 05 de maio recebe inscrições de pesquisas relativas às cidades e a emergência climática.

Idealizado pelo BDMG Cultural com o apoio do Cosmópolis, grupo de pesquisa da Escola de Arquitetura e Design da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, o programa Urbe Urge fomentará a formação de seis coletivos com 3 integrantes cada, sendo pelo menos um deles arquiteto, urbanista ou designer, e os demais de qualquer área do conhecimento e/ou saberes, inclusive tradicionais ou populares. A ficha de inscrição e o edital completo estão disponíveis aqui.

Os coletivos selecionados terão a oportunidade de desenvolver seus projetos em interlocução com 12 pensadores e artistas indígenas, lideranças comunitárias, cientistas do clima, pesquisadores do Antropoceno, críticos e curadores, além de arquitetos, urbanistas e designers engajados no enfrentamento da emergência climática:

Ailton Krenak, Alexandre Araujo Costa, Alyne Costa, Ana Luiza Nobre, Carolina Levis, Denilsow Baniwa, Ester Carro, Frederico Duarte, Gabriela Leandro (Gaia), Jerá Guarani, Paulo Tavares e Zoy Anastassakis, participarão de imersões quinzenais com os bolsistas selecionados e farão lives públicas abertas a todas e todos no Youtube do BDMG Cultural.

“A proposta do BDMG Cultural, com este programa, é ampliar as possibilidades de criação de projetos no âmbito das cidades, entendendo arquitetura, urbanismo e design em uma perspectiva cultural e fomentando respostas aos desafios impostos pela emergência climática. Entendemos que não é possível este enfrentamento sem que saberes diversos estejam na experimentação de soluções e sem que olhemos para aquilo que é mais urgente hoje nas urbes. Por isso, estamos propondo que coletivos se organizem para a inscrição sempre considerando uma formação transdisciplinar e incluindo diferentes perspectivas”, diz Gabriela Moulin, diretora-presidente do BDMG Cultural.

A diretora do Instituto ressalta ainda a importância do programa em sua conexão com a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, especialmente os objetivos 11, que trata de cidades e comunidades sustentáveis; e o 13 que trata de ação contra a mudança global do clima.

“Neste momento em que a urbanização se faz planetária e que a humanidade se tornou uma força geológica capaz de alterar profundamente os ciclos termodinâmicos da Terra, é urgente reinventar o modo de vida urbano e ensaiar outras formas de coexistência entre humanos e animais e plantas, entre as cidades, as florestas, os rios, as montanhas. Mas também urge projetar, com os pés no chão e com os povos e as ciências da terra, as condições de habitabilidade para o futuro. O programa Urbe Urge é uma iniciativa única nesse sentido de fomentar confluências e por apostar que a arquitetura, o urbanismo e o design, apesar de suas profundas implicações e responsabilidades com a emergência climática, podem ser práticas cruciais no processo inadiável de regeneração ambiental, reparação sensível na cura da terra e no cuidado com a Terra”, complementa Wellington Cançado, professor da UFMG e pesquisador do Cosmópolis.

O programa Urbe Urge também ganhará uma plataforma digital exclusiva para abrigar os processos de pesquisa e criação – textos, vídeos, áudios, fotos, mapas, desenhos, relatos, anotações, dentre outros meios –, para apresentação dos projetos e disponibilização do conhecimento gerado pelo programa com a toda a sociedade.

Conheça os interlocutores (as)

  • Ailton Krenak
    Ambientalista, filósofo, escritor, curador e ativista do movimento em defesa dos direitos indígenas. Participou da Assembleia Nacional Constituinte (1987), organizou a Aliança dos Povos da Floresta e é um dos fundadores da União dos Povos Indígenas. É comendador da Ordem de Mérito Cultural da Presidência da República e doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora/MG. Vencedor do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano (2020), é autor de “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019), “O amanhã não está à venda” (2020) “A vida não é útil” (2020) e “A vida é selvagem” (2021).
  • Alexandre Araújo Costa
    Físico, ativista climático, ambientalista e Professor Titular da Universidade Federal do Ceará. É doutor em Ciências Atmosféricas pela Universidade do Estado do Colorado e pós-doutor pela Universidade Yale. Suas pesquisas abordam: modelagem atmosférica, climatologia física, mudanças climáticas e meteorologia aplicada. Foi gerente do Departamento de Meteorologia e Oceanografia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (2005-8). É membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e um dos coordenadores do fórum de articulação Ceará no Clima. Edita “O que você faria se soubesse o que eu sei?” blog e canal no YouTube.
  • Alyne Costa
    Doutora em filosofia pela PUC-Rio, professora do quadro complementar do Departamento de Filosofia da PUC-Rio e pós-doutoranda do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Sua pesquisa trata da importância de pensar o Antropoceno e o colapso ecológico, considerando também cosmovisões e modos de vida outros que ocidentais. Sua tese “Cosmopolíticas da Terra: modos de existência e resistência no Antropoceno” foi a vencedora do Prêmio Capes de Tese 2020 na área de filosofia. É autora de “Guerra e paz no Antropoceno: uma análise da crise ecológica segundo a obra de Bruno Latour” (2017).
  • Ana Luiza Nobre
    Arquiteta, historiadora e professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde pesquisa atualmente as relações críticas entre a arquitetura e o chão como ser vivente, feito da contínua interação entre múltiplas espécies, tempos, organismos, agentes, forças geopolíticas e lógicas de territorialização. Foi curadora adjunta da X Bienal de Arquitetura de São Paulo.
  • Carolina Levis
    Doutora em Ecologia INPA/Brasil e em Ecologia da Produção e Conservação de Recursos na Wageningen University & Research (WUR/Holanda, 2018). Atualmente é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pesquisa as dimensões culturais das florestas tropicais e o seu reenquadramento no Antropoceno, articulando estratégias de uso, manejo e conservação da vegetação nativa com base em conhecimentos ecológicos ancestrais e científicos. Foi premiada com o Prêmio Jovem Cientista do CNPq (2018) e o Grande Prêmio CAPES de Tese (2019).
  • Denilson Baniwa
    Artista, curador, designer, ilustrador, comunicador e ativista dos direitos indígenas. Vencedor online do Prêmio Pipa de 2019 e um dos fundadores da Rádio Indígena Yandê. Participou das exposições “Dja Guata Porã: Rio de Janeiro indígena” (2017), “Vaivém” (2019) e da Bienal de Sydney (2020). Realizou a mostra “Terra Brasilis: o agro não é pop!” (2018) e foi co-curador de “Manjar, Re-Conhecimento” (2019). Participou do “Arctic Amazon Symposium” (2019), do workshop na Universidade de Princeton “Amazonian Poetics: The Poetics of a Amazonian World” e do “Climax Festival/Global Warning” em Bourdeaux.
  • Ester Carro
    Arquiteta, ativista urbana, professora e pesquisadora no Núcleo de Mulheres e Território do Laboratório de Cidades (Arq. Futuro e Insper) e fellowship na Avenues São Paulo. Desde 2017, é Presidente do Fazendinhando, movimento de transformação física, cultural e social que visa impactar territórios vulneráveis para conscientização da população frente aos efeitos das mudanças climáticas. Em 2019, foi uma das selecionadas para participar da XII Bienal Internacional de Arquitetura, com o projeto intitulado: “Contribuições para outra narrativa” exposto no Centro Cultural de São Paulo.
  • Frederico Duarte
    Crítico e curador, graduado em design de comunicação em Lisboa, com mestrado em crítica de design na School of Visual Arts em Nova Iorque. Atualmente desenvolve sua tese de doutorado sobre design brasileiro contemporâneo na Birkbeck College, University of London e no Victoria & Albert Museum intitulada “The contemporary challenge of curating Brazilian design” e é co-curador da candidatura de Alcobaça a cidade criativa da UNESCO pela gastronomia. Foi curador da exposição “Brasil hoje: como se pronuncia design em português” no MUDE em Lisboa em 2017.
  • Gabriela Leandro (Gaia)
    Arquiteta, pesquisadora e professora da Faculdade de Arquitetura da UFBA. Desenvolve investigações sobre narrativas, histórias, memórias e epistemologias produzidas sobre a cidade, urbanismo, arquitetura e seus apagamentos, interseccionados pelo debate das racialidades e de gênero. É autora do livro “Corpo, discurso e território: Cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus” (2019) e foi curadora da Revista Arquitetas Negras, Vol 1 (2019). Compôs o júri do concurso de curadoria da 12ª Bienal de Arquitetura de São Paulo de 2019. É cofundadora da Coletiva Terra Preta e Conselheira da Casa Sueli Carneiro.
  • Jerá Guarani
    Pedagoga pela Universidade de São Paulo (USP), foi professora e diretora da Escola Estadual Indígena Gwyra Pepó. É agricultora e liderança Guarani Mbya da Terra Indígena Tenondé Porã, no extremo sul de São Paulo, onde também realiza projetos culturais, documentários e luta pela aprovação do Projeto de Lei 181/2016 do Cinturão Verde Guarani, que visa reconhecer e apoiar o papel desempenhado pelas Terras Indígenas Guarani na proteção e recuperação do pouco que restou da Mata Atlântica na cidade de São Paulo.
  • Paulo Tavares
    Arquiteto, doutor pela Goldmisth – University of London, pesquisador e professor da UnB. Colaborador do Forensic Architecture e fundador da agência autonoma. Desenvolve pesquisas cartográficas e análises visuais forenses para subsidiar a reparação de danos materiais e morais sofridos pelos povos indígenas devido à remoção forçada de seus territórios e investiga as possibilidades da arquitetura como uma forma de advocacia e as relações do design com a crise climática. É autor dos livros “Forest Law” (2014), “Des-Habitat” (2019) e “Memória da Terra” (2020). Foi cocurador da Bienal de Arquitetura de Chicago 2019.
  • Zoy Anastassakis
    Designer com mestrado e doutorado em Antropologia Social pelo PPGAS/Museu Nacional/UFRJ. Foi diretora e é professora adjunta da Escola Superior de Desenho Industrial/ESDI-UERJ, onde coordena o Laboratório de Design e Antropologia (LaDA). É autora de “Triunfos e Impasses: Lina Bo Bardi, Aloísio Magalhães e o design no Brasil” (2014), “Refazendo tudo: confabulações em meio aos cupins na universidade” (2020) e escreve atualmente, com Marcos Martins, para a coleção “Design in Dark Times/ Radical Thinkers in Design”, o livro “Under Attack! Design Lessons from the Global South”. Coordena o Programa de Estudos em Humanidades.