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Ciclo de Conferências Mutações chega à reta final

José Miguel Wisnik é um dos convidados da última semana do ciclo de conferências

Foto: Renato Stocker


José Miguel Wisnik, Eugênio Bucci, Olgária Matos e Luiz Alberto Oliveira participam da última semana da edição 2018 do Ciclo Conferências Mutações – A outra margem da política, nos dias 11, 12, 14 e 15 de junho, às 19h, no auditório do BDMG. As inscrições para as palestras avulsas são R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) e podem ser feitas pelo site www.appa.art.br ou pessoalmente, antes do início das conferências 

No dia 11 de junho, o escritor, professor e músico José Miguel Wisnik fala sobre a “Terceira margem da política”. O autor destaca que, afora instituições e atividades formalmente codificadas como políticas, “vigoram relações de força em jogo permanente, que não se circunscrevem nem se explicitam, mas que estão disseminadas, difusas e implícitas nas linguagens em ato cotidiano”. Trata-se, segundo Wisnik, de relações políticas nas quais os domínios e as sujeições, as formas de exclusão, mas também de escapar à subjetivação dominante, não se localizam no enunciado, mas na enunciação; não no dito, mas nas formas do dizer. “Procuraremos sondar situações mais fluidas em que o embate político se manifesta no cotidiano de massa, muitas vezes sem dizer seu nome: a religião do capitalismo; o tratamento jornalístico da vida diária; as formas artísticas e para-artísticas; os cruzamentos entre ficção e realidade; e as relações entre fato e factoide, entre ativismo e arte”.

Na terça-feira, 12, o jornalista e professor Eugênio Bucci aborda o tema “Uma defesa da verdade factual (entre a “pós-verdade” excêntrica e a democracia improvável”. Segundo Bucci, haveria, em nossa era, a prevalência do fato em detrimento do juízo de valor. “O fato se antecipa. O fato se anuncia. O fato se impõe. O fato cala. E, de fato, os discursos que vigoram trazem a marca de parecer terem sido emitidos diretamente a partir da evidência dos fatos – discursos, portanto, objetivos, uma vez que decorrentes da natureza mesma do objeto”, comenta, ao destacar que, hoje, dissolveu-se a faculdade de identificar fatos materiais e pensar a partir deles – ou contra eles. “Falta-nos compreender que a dimensão dos fatos objetivos, que, implicada no pensamento, não aprisiona, mas liberta o espírito. Falta ar. Donde passo à pergunta: se a tirania dos discursos que usurparam a condição de representar os fatos sufoca os espaços de liberdade, não será a indistinção entre fatos e opiniões – tão fácil de perceber e tão característica da nossa era de “pós-verdade” – o mal que asfixia a política, amofina a imprensa e oblitera a democracia?”, completa.

No dia 14, a filósofa Olgária Matos aborda o “Fim da história compartilhada – desamparo na ausência de mundo”. A pesquisadora lembra que, para analisar a modernidade, Walter Benjamin a caracteriza pelo predomínio da técnica e do fetichismo em suas relações com a sociedade e as guerras, de modo a entrever os desastres que uma civilização industrial em crise pode causar. “Hannah Arendt, por sua vez, anota: ‘De agora em diante, a morada da alma só pode ser construída com firmeza na sólida fundação do mais completo desespero.’ A esta mortificação, Arendt denominou ‘acosmismo’ (worldlessness), ausência de mundo, ao se referir a uma figura inédita da alienação que é perda do mundo comum, resultado da pleonexia da ciência e da técnica que, depois de 1945 e da bomba atômica, são capazes de destruição de todas as formas de vida”, comenta Olgária. 

Na última conferência do Ciclo Mutações 2018 em Belo Horizonte, no dia 15 de junho, “Bem depois, mas logo ali”, o físico Luiz Alberto Oliveira, e, também, curador do Museu do Amanhã (RJ), ressalta que: “É assim cada vez mais indispensável debater os aspectos éticos, políticos e históricos desta transição autogerada para uma condição neo-humana”. Segundo Oliveira, em qualquer dimensão, seja social ou política, fisiológica ou cognitiva, os elementos que constituíam a condição humana estão, sem exceção, passando por transformações. Para ele, “no momento em que o Homem vislumbra a substituição de seu estatuto ontológico prévio – de ente Universal para agente Cósmico – seu desenvolvimento se precipita rumo a um ponto crítico”, e justifica: “os riscos de cenários de descalabro ambiental e da desigualdade intolerável, índices de um colapso temporário ou irreversível do sistema, apontam para duas possíveis formas de estabilização, dificilmente compatíveis: a horizontalidade democrática e a verticalidade totalitária. Esta disputa de valores determinará a constituição do Homo sapiens 2.0 hoje em gestação, e o destino de seu futuro astronômico”, conclui. 

 


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